Uma panorâmica sobre Oséias


O livro de Oséias é o primeiro livro do grupo de livros chamados Profetas Menores. Oséias profetizou no reino do Norte, chamado também de Israel, que era composto na época de dez tribos (das doze tribos que formavam a nação israelita, excetuam-se as tribos de Judá e Benjamim que formavam o reino do Sul, chamado também de reino de Judá).

      O livro retrata o drama pessoal de Oséias que casou, a mando de Deus, com uma mulher de vida duvidosa e que após o casamento foi infiel ao seu esposo, mas que ainda, a mando de Deus, o profeta a buscou para voltar ao convívio do lar. A experiência amarga do profeta simbolizava a relação de Deus com Israel, que nesse livro era uma relação conjugal. Deus era o marido de Israel e Israel sua esposa. Assim como Oséias tomou a Gomer  como esposa, uma mulher de vida duvidosa, Deus tomara Israel na incredulidade e na idolatria (Abraão, o patriarca hebreu, antes de sua conversão era um idólatra) para fazer dele sua esposa. Como a mulher do profeta Oséias foi infiel ao seu marido assim Israel estava sendo infiel ao seu esposo, Deus. É bom lembrar que a idolatria na Bíblia é sempre considerada uma prostituição, um adultério espiritual.

    O reino de Israel (Norte), após a divisão do povo de Deus na época de Roboão, filho de Salomão, começou a se prostituir, ou adulterar, quando o seu rei Jeroboão fez dois bezerros de ouro e os colocou em pontos estratégicos (Dã e Betel) e disse ao povo que aqueles bezerros eram os deuses de Israel, e que esquecessem o templo em Jerusalém, em Judá. “E disse Jeroboão no seu coração: Agora, tornará o reino à casa de Davi. Se este povo subir para fazer sacrifícios na Casa do Senhor, em Jerusalém, o coração deste povo se tornará a seu senhor, a Roboão, rei de Judá, e me matarão e tornarão a Roboão, rei de Judá. Pelo que o rei tomou conselho, e fez dois bezerros de ouro, e lhes disse: Muito trabalho vos será o subir a Jerusalém; vês aqui teus deuses, ó Israel, que te fizeram subir da terra do Egito. E pôs  um em Betel e colocou o outro em Dã. E este feito se tornou em pecado, pois que o povo ia até Dã, cada um a adorar” 1 Rs 12.26-30.  É importante ainda observar que todos os reis do reino de Israel (Norte) seguiram as pegadas de Jeroboão I, ou seja, trilharam o caminho da idolatria. Esse rei tornou-se um paradigma para os outros reis. É comum a expressão: “e não se apartou dos caminhos de Jeroboão”.

    Mas, a grande mensagem do livro de Oséias é a que enfatiza o amor de Deus por Israel. Mesmo Deus sendo traído pela esposa infiel (Israel), ele a amava profundamente e queria trazê-la ao convívio do lar. “Quando Israel era menino, eu o amei; e do Egito chamei a meu filho. Mas, como os chamavam, assim se iam da sua face; sacrificavam a baalins e queimavam incenso às imagens de escultura. Todavia, eu ensinei a andar a Efraim; tomei-os pelos seus braços, mas não conheceram que eu os curava. Atraí-os com cordas humanas, com cordas de amor; e fui para eles como os que tiram o jugo de sobre as suas queixadas; e lhes dei mantimento” Os 11.1-4.

    A história do reino do Norte foi uma história de continua prostituição espiritual. Deus levantou muitos profetas, tanto profetas da palavra como profetas escritores, dentre eles o profeta Oséias, para ministrar aquele povo tentando levá-lo ao arrependimento, mas, infelizmente, a mensagem de Deus nunca entrou no coração daquela parte do povo de Deus, e essa indiferença levou-o a destruição pelos assírios em 722 a.C. Em Oséias, Deus notifica o pecado de Israel, o ameaça com castigo, demonstra-lhe amor, mas tudo em vão.

     O livro de Oséias termina com uma exortação ao arrependimento e a promessa divina de que Israel será tratado com misericórdia no futuro. Uns acham que esse tratamento será no período tribulacional e outros acham que a misericórdia de Deus está sendo derramada sobre Israel no programa geral da Igreja, quando os judeus são tratados com amor e graça como indivíduos e não como nação.

    Em relação à Cristologia, o livro de Oséias não tem referências diretas a Cristo, mas o amor de Deus revelado no livro em relação a Israel que é comparado ao amor matrimonial, simboliza o amor de Cristo pela Igreja, hoje sua noiva e depois da vinda do Senhor, sua  esposa. Mateus cita Os 11.1b (Mt 2.15), referindo-se a Cristo.