Uma panorâmica sobre II Tessalonicenses


A primeira carta de Paulo à Igreja de Tessalônica causou um impacto na vida daquela comunidade no que concerne a revelação que o apóstolo fizera sobre a segunda vinda do Senhor e o seu desdobramento no arrebatamento da igreja. Tudo indica que muitos irmãos com o entendimento de um arrebatamento iminente deixaram seus empregos e ficaram esperando a vinda do Senhor. Como o Senhor não viera logo, esses irmãos começaram a buscar alimento e o atendimento de suas necessidades junto aos irmãos, causando transtorno na Igreja. “Porquanto ouvimos que alguns entre vós andam desordenadamente, não trabalhando, antes, fazendo coisas vãs. A esses tais, porém, mandamos e exortamos, por nosso Senhor Jesus Cristo, que, trabalhando com sossego, comam o seu próprio pão. E vós, irmãos, não vos canseis de fazer o bem” 2 Ts 3.10-13.

   A segunda carta foi escrita pouco tempo depois da primeira carta, cerca de 51 ou 52 d.C., quando Paulo ainda estava trabalhando na cidade de Corinto com Silas e Timóteo e tivera conhecimento do problema.

   Essa carta teve como propósitos animar seus novos convertidos que estavam sofrendo perseguição; exortá-los a dar bom testemunho da fé cristã e trabalhar cada um para ter o seu sustento a fim de não servir de peso para os outros; e para corrigir certos erros doutrinários sobre eventos ligados ao Dia do Senhor.

   A segunda carta tem as seguintes características especiais: 1) a carta contém um dos trechos mais completos a respeito da iniquidade e da impostura desenfreadas no final dos tempos; 2) O justo juízo de Deus vinculado à Segunda Vinda do Senhor é descrito, na carta, em termos apocalípticos como no livro de Apocalipse; 3) descreve o perfil do Anticristo como em nenhum livro da Bíblia Sagrada.

   Sobre a Segunda Vinda do Senhor, Paulo orienta a Igreja a não se demover facilmente do ensino correto sobre o assunto, mesmo que pessoas importantes do meio cristão falem sobre a iminência do dia do Senhor sem considerar os sinais que ele apresenta na carta.

    Merece destaque nessa carta a questão dos sinais que antecederão a Segunda Vinda do Senhor. Paulo pelo Espírito Santo revela que a Segunda Vinda do Senhor não ocorrerá sem antes ser instalada a apostasia e seja manifestado o Anticristo. “Ninguém, de maneira alguma, vos engane, porque não será assim sem que antes venha a apostasia e se manifeste o homem do pecado, o filho da perdição” 2 Ts 2.3. Com relação à apostasia, podemos correlacionar o assunto com o que o Senhor Jesus revelou em seu sermão escatológico sobre o aumento da iniquidade e o consequente esfriamento da fé (Mt 24.12).

    Em relação ao Anticristo, ele é a besta que sai do mar (nações)  do livro de Apocalipse (Ap 13.1-10). Em Apocalipse é dito que o dragão (Satanás) deu o seu poder ao Anticristo. “E a besta que vi era semelhante ao leopardo, e os seus pés, como os de urso, e a sua boca, como a de leão; e o dragão deu-lhe o seu poder, e o seu trono, e grande poderio” Ap 13.2. Em 2ª Tessalonicenses nos é dito que o Anticristo, o iníquo aparecerá com toda a eficácia de Satanás. “a esse cuja vinda é segundo a eficácia de Satanás, com todo o poder, e sinais, e prodígios de mentira, e com todo engano da injustiça para os que perecem,...” 2 Ts 2.9,10.

     Esse quadro assustador de apostasia e operação intensa de Satanás que antecederá a Segunda Vinda, terá como consequência uma geração  maldosa, perversa que viverá no final dos tempos, conforme revelado por Paulo em 2 Tm 3.1-9.

    No cronograma de eventos escatológicos, podemos observar que a Segunda Vinda ocorrerá após a Grande Tribulação. (Mt 24.29-31)

    O Anticristo bem como a segunda besta (o Falso Profeta) será destruído (aprisionados e lançados vivos no lago que arde com fogo e enxofre) por Cristo em sua Segunda Vinda, conforme revelado na carta em apreço  e no livro de Apocalipse.