Uma panorâmica sobre II Coríntios


Diz-nos os historiadores bíblicos que Paulo  fizera uma viagem a Corinto após o envio da primeira carta. Essa estada em Corinto não fora agradável nem para Paulo nem para aquela comunidade. Novamente em Éfeso Paulo tomara conhecimento de que a sua autoridade apostólica estava sendo minada em Corinto, inclusive os  seus opositores estavam denegrindo a imagem do apóstolo. “Porque as suas cartas, dizem, são graves e fortes, mas a presença do corpo é fraca, e a palavra, desprezível” 2 Co 10.10. Depois da segunda carta, Paulo ainda esteve em Corinto, permanecendo ali três meses, conforme se extrai do relato de Atos 20.1-3.

   Paulo escreveu a segunda carta aos Coríntios com as seguintes finalidades: a) Encorajar a maioria da igreja que lhe era fiel, como seu pai espiritual; b) Contestar e desmascarar os falsos apóstolos que distorciam a sua mensagem e enfraqueciam o seu apostolado naquela comunidade; c) Repreender a minoria daquela comunidade que estava sendo seduzida pelos falsos obreiros, opositores de Paulo.

   A segunda carta aos Coríntios tem as seguintes características especiais: 1) É a mais autobiográfica das epístolas paulinas. Nela encontramos muitas referências pessoais, mas feitas com humildade, pedindo desculpas e até mesmo constrangido pelo que estava revelando; 2)  Contém a mais completa teologia sobre o sofrimento do crente em todo o Novo Testamento, bem como sobre a questão da contribuição cristã para a manutenção da Igreja; 3) O uso de diversos termos-chaves que se destacam no conteúdo da carta, tais como: fraqueza, aflição, lágrimas, perigos, tribulação, sofrimento, consolação, jactância, verdade, ministério e glória.

   O  tema  dessa  carta  é   “A Apologia do Ministério Apostólico”, e ela foi escrita entre os anos   55 e 56 depois de Cristo.

     No esboço da segunda carta aos Coríntios encontramos: 1) introdução (1.1-11). Nessa introdução observa-se a ausência de uma ação de graça comum nas cartas de Paulo, talvez devido a censura de Paulo à igreja. 2) Primeira parte (1.12-7.16) – Nessa parte encontramos Paulo justificando a sua conduta com relação aos coríntios. Fala de sua demora em fazer a viagem a Corinto; Faz uma apologia (defesa) do seu ministério apostólico (a sua fidelidade como apóstolo, a superioridade do apostolado na dispensação da graça, as fraquezas e sofrimentos do apóstolo, o apóstolo como embaixador e ministro de Deus, e conclui a apologia com uma manifestação de carinho pelos seus filhos na fé); 3) Segunda parte (8;9). Nessa segunda parte Paulo trata da coleta para os santos de Jerusalém. Ela começa tratando da recomendação da coleta e dos delegados que a levariam para Jerusalém e cita como exemplo o sucesso da oferta levantada pelos irmãos da Macedônia; 4) Terceira parte (10.1-13.10). Na terceira parte Paulo faz uma apologia de seu ministério. Primeiramente ele se defende contra acusações pessoais feitas pelos judaizantes; depois ele elogia-se a si mesmo como apóstolo e pelo trabalho realizado, mas faz isso com humildade pedindo desculpas a igreja. Depois ele faz um relato biográfico de seu ministério, enumerando os seus títulos, seus trabalhos, seus sofrimentos, os dons extraordinários concedidos por Deus a ele bem como as suas fraquezas que foram compensadas pela atuação poderosa da graça de Deus em sua vida. Essa seção termina com um último aviso de Paulo a igreja de que quando fosse novamente a ela puniria os impenitentes de acordo com a autoridade dada por Deus a ele.

     Essa carta termina (13.11-13) com a recomendação de que a igreja deveria viver a vida cristã com alegria e  unida. Concluindo a carta, Paulo impetra sobre a Igreja a benção trinitária. “A graça do Senhor Jesus Cristo, e o amor de Deus, e a comunhão do Espírito Santo sejam com vós todos. Amém!” 2 Co 13.13.