Uma panorâmica sobre I Reis


      O livro de 1º Reis começa informando sobre a velhice de Davi e a pretensão de Adonias, filho de Davi, em ocupar o trono de Israel em lugar de seu pai que estava à beira da morte. Graças à providência divina, o reino de Israel foi entregue a Salomão, conforme promessa de Davi a Bate-Seba no leito de morte. Salomão foi ungido rei por Zadoque o sacerdote, que estava acompanhado pelo profeta Natâ, segundo a ordem expressa de Davi.

      Salomão começa o seu reinado sob a benção do Deus Todo-Poderoso. Logo no início ao constatar a grande responsabilidade que tinha diante de Deus, humildemente o rei pede a Deus sabedoria para governar o Seu povo. Deus graciosamente responde a oração de Salomão e lhe dá sabedoria e riquezas sem par, sendo Salomão considerado um dos reis mais sábios que já existiu. Segundo o texto de 1 Rs 4.29-34, Salomão produziu três mil provérbios, mil e cinco cânticos, sendo o mais famoso o de Cantares. Dissertou também sobre os reinos animal e  vegetal. A sua fama como homem sábio voou pelo mundo de então a ponto de potentados estrangeiros irem a Jerusalém para ouvir a sua sabedoria. Salomão teve o privilégio de duas vezes ter visões de Deus (1 Rs 3.5; 9.2), numa delas Deus disse: “Pede o que quiseres que te dê”.

        Conforme tinha sido determinado por Davi, seu pai, Salomão começa e conclui a construção do templo em Jerusalém, conhecido como o templo de Salomão. Quando da inauguração daquele santuário, após orar a Deus, a glória divina encheu aquela casa.

       Apesar dessa glória magnificente dispensada por Deus aquele homem, ele fraquejou numa área que Deus já tinha alertado através de Moisés quando falava sobre os privilégios e as responsabilidade do futuro rei de Israel (Dt 17.14-20). As muitas mulheres estrangeiras de Salomão (Ele teve mil, sendo setecentas princesas e trezentas concubinas) lhe perverteram o coração, fazendo com que ele se dobrasse diante de seus deuses, fazendo Salomão infringir o primeiro e o segundo mandamentos da Lei Divina. Por causa desse pecado Deus resolveu rasgar

o reino de Israel em dois, o que aconteceu na época de Roboão, filho de Salomão que lhe sucedeu no trono.

      A partir dessa ruptura, o povo de Deus estava dividido em dois reinos: o reino de Judá (Sul) composto de duas tribos e o reino de Israel (Norte) composto de dez tribos.  Por amor a Davi Deus preservou a linhagem davídica,  por causa do seu propósito redentor através de Cristo descendente da casa de Davi. Os dois reinos tiveram dezenove reis cada um até o período do cativeiro assírio (reino de Israel) e do cativeiro babilônico (reino de Judá). No reino de Judá só teve uma dinastia que foi a de Davi. O reino de Israel teve diversas dinastias.

      Menção especial deve se fazer nesse período a atuação do grande profeta Elias, o tisbita. Elias profetizou na época de Acabe (rei do reino de Israel) cuja mulher Jezabel ficou famosa na história por sua maldade e por ter introduzido o culto a Baal em Israel. Elias ficou famoso pelo desafio que fez aos quatrocentos e cinquenta profetas de Baal, vencendo-os quando Deus ouviu a sua oração e fez descer fogo do Céu que consumiu o holocausto oferecido por Elias. Diante dessa vitória o povo de Deus bradou: “Só o Senhor é Deus”.

      Deve-se observar que segundo os livros de Reis (1º e 2º)  no reino de Israel (reino do norte) não se levantou nenhum rei piedoso. Todos eles seguiram as pegadas do primeiro rei Jeroboão, que foram as pegadas da idolatria e da impiedade, sendo esse rei um paradigma da maldade. Foi ele que com medo de que o povo de Deus aderisse ao reino da casa de Davi, fez dois bezerros de ouro e os instalou em lugares estratégicos em Israel (Betel e Dã), ordenando ao povo que os adorasse.

      Dois grandes reis que o livro de 1º Reis realça foram Asa e Josafá. De Asa, a Bíblia testifica: “Asa fez o que era reto aos olhos do Senhor, como Davi, seu pai” 1 Rs 15.11. Josafá foi contemporâneo de Acabe. Deus o abençoou muito e lhe deu grandes vitórias porque buscou a Deus de todo o seu coração. “Era Josafá da idade de trinta e cinco anos quando começou a reinar, e reinou vinte e cinco anos em Jerusalém... E andou em todos os caminhos de seu pai Asa; não se desviou deles, mas fez o que era reto aos olhos do Senhor” 1 Rs 22.42,43.