Uma panorâmica sobre I Coríntios


Corinto era uma das maiores cidades da Grécia antiga. A Igreja naquela cidade fora fundada por Paulo em sua segunda viagem missionária durante os dezoito meses que trabalhou em Corinto junto com Áquila e Priscila (At 18.1-18). O fervoroso Apolo também trabalhou naquela cidade na ausência de Paulo (At 19.1).

    A Igreja em Corinto era composta de judeus e gentios, sendo esse último grupo bem maior do que o primeiro. Com o crescimento da Igreja surgiram também os problemas que foram administrados por Paulo através de suas duas cartas destinadas para aquela Igreja num intervalo curto de tempo.

    Paulo escreve a primeira carta aos Coríntios quando ministrava em Éfeso. Nessa cidade, tomou conhecimento dos graves problemas que a Igreja de Corinto enfrentava e que fora informado pela família de Cloé (1 Co 1.11). Esses problemas giravam em torno das divisões dentro da Igreja tendo diversos grupos que se digladiavam entre si, causando problema na unidade da mesma. Outro problema grave que trazia uma imagem negativa da Igreja era relacionado a problemas morais: Um caso de incesto não tratado pela Igreja; litígios entre crentes arbitrados pela justiça comum; e problema de prostituição. Esses problemas maculavam a santidade da Igreja. Para solução desses problemas Paulo, pelo Espirito Santo, estabelece dois princípios que iriam nortear a Igreja de Corinto bem como a Igreja do Senhor em todos os tempos. O primeiro princípio revela a Igreja como o Corpo de Cristo, portanto indivisível. O segundo princípio revela o correto proceder de uma pessoa unida espiritualmente com Cristo.

    A segunda parte da carta aos Coríntios trata das respostas dadas por Paulo as perguntas inquietantes daquela comunidade evangélica (7.1-16.9).

    O primeiro questionamento da Igreja de Corinto era relacionado ao casamento. Nessa resposta Paulo trata do matrimônio e do celibato; dos deveres cristãos no casamento; aconselha aos solteiros; e orienta na questão de novo casamento. Nessas respostas de Paulo fica estabelecido o principio de que o matrimônio é uma dádiva de Deus, bem como o celibato por causa do Reino de Deus.

     A segunda pergunta girava em torno da liberdade cristã. Eles tinham dúvidas em relação a alimentos oferecidos a ídolos; Paulo os orienta ao uso disciplinado da liberdade cristã, bem como a incompatibilidade entre as festas idolátricas e a mesa do Senhor. Paulo pelo Espírito estabelece dois  princípios para nortear essas questões: 1) Fazer tudo para a glória de Deus; 2) nada fazer que sirva de tropeço ao próximo.

      A terceira questão que incomodava os coríntios era a questão do culto público. Nessa área Paulo trata da questão da mulher na Igreja; a questão da celebração da Ceia do Senhor; e da questão do  exercício dos dons espirituais nos cultos da Igreja. Paulo estabelece um princípio divino para tratar essa questão: Tudo deve ser feito no culto com ordem e decência.

     A quarta questão tratada por Paulo foi concernente à ressurreição corporal. Um grupo de irmãos dizia que não havia ressurreição dos mortos e outro sim. Com a argumentação mais longa de todas as suas cartas Paulo prova com maestria a questão da ressurreição corporal como parte final do programa de Deus para os crentes em Cristo. Fechando essa questão ficou estabelecido o principio de que assim como Cristo ressuscitou dentre os mortos, o mesmo ocorrerá aos que são de Cristo, na sua segunda vinda.

    Por fim Paulo trata da questão da coleta para os santos necessitados como um dos ministérios da Igreja que deveria ter a participação de todos.

    Em relação aos dons espirituais Paulo revela a sua existência como dádivas de Deus para o crescimento espiritual dos crentes, e que os mesmos devem ser exercidos com amor, o dom supremo.