Uma panorâmica sobre Ester


 O livro de Ester, o último dos livros históricos do Antigo Testamento, tem duas particularidades interessantes: É o único livro da Bíblia em que o nome de Deus (Elohim, Adonai, Yahweh) não é mencionado, mas nele se percebe a ação da providência divina em todo o seu conteúdo. A outra particularidade é que é o segundo livro que tem como heroína uma mulher, Ester, que dá o seu nome ao livro, a exemplo de Rute.

      A história de Ester se dar no período do cativeiro babilônico, quando governava o mundo os persas.  A rainha persa Vastir, esposa de Assuero, recusa-se em obedecer a uma ordem de seu marido e por causa disso é destituída de sua posição e em seu lugar é escolhida rainha uma jovem judia chamada Hadassa (hebraico) ou Ester (persa).       Ester, cujo pai falecera, fora criada por seu primo Mardoqueu. Esse Mardoqueu descobriu uma conspiração contra o rei Assuero por parte de dois de seus assessores próximos e os denunciou a Ester e essa ao seu marido, sendo ambos executados, mas a sua ação foi esquecida e ele não foi recompensado.

      Depois o livro fala de um importante homem chamado Hamã, extremamente vaidoso, que fora galgado a uma posição muito importante junto ao trono de Assuero.  Esse homem por causa de sua alta posição e por causa do favoritismo que tinha junto à corte persa era reverenciado por todos, menos por Mardoqueu por causa de sua fé. Essa atitude de Mardoqueu gerou no coração de Hamã um ódio profundo e ele resolveu destruir a vida do servo de Deus bem como a de seu povo.  Hamã consegue convencer a Assuero sobre a destruição dos judeus, alegando o seguinte: “... Existe espalhado e disperso entre os povos em todas as províncias do teu reino um povo, cujas leis são diferentes das leis de todos os povos, e que não cumprem as leis do rei;  pelo que não convém ao rei tolerá-lo. Se bem parecer ao rei, decrete-se que seja destruído;  e eu pagarei dez mil talentos de prata aos encarregados dos negócios do rei, para os recolherem ao tesouro do rei” Et 3.8. A assinatura do decreto que autorizava a destruição dos judeus em todos os domínios persas (cento e vinte e sete províncias) causou um reboliço em todo o reino, levando Mardoqueu a pedir a Ester que intercedesse pelos judeus, sendo ela também judia. Ester no inicio relutou, mas Mardoqueu insistiu com ela: “... Não imagines que, por estares no palácio do rei, terás mais sorte para escapar do que todos os outros judeus. Pois, se de todo te calares agora, de outra parte se levantarão socorro e livramento para os judeus, mas tu e a casa de teu pai perecereis;  e quem sabe se não foi para tal tempo como este que chegaste ao reino?” Et 4.13,14. Isto levou Ester a orientar a Mardoqueu que convocasse o povo a um jejum de três dias. Depois desse jejum Ester se apresenta ao seu marido, mesmo sem ser convidada,  o que era uma falta grave na cultura persa. Assuero a recebe de boa vontade e promete atender a sua petição mesmo que fosse a metade do reino. Ela pede apenas que ela e o seu povo fossem poupados da destruição articulada por Hamã. A trama de Hamã é descoberta e ele é enforcado na forca que preparara para Mardoqueu.  

      Antes de Ester fazer a sua petição, o rei perdeu o sono e mandou trazer as crônicas do reino e nelas leu o que Mardoqueu fizera e descobriu que aquela bondade não fora recompensada. De imediato o rei manda Hamã beneficiar a Mardoqueu com a própria sugestão que Hamã fizera pensando que se tratava de si mesmo. Hamã foi obrigado a acompanhar a Mardoqueu perante o povo de Susã, capital do reino persa, que estava montado numa montaria real e vestido regiamente.

     Para resolver o problema, Assuero emite outro decreto no qual autoriza aos judeus a se defenderem e matarem aos que procuravam matá-los. Com a importância que Mardoqueu alcançara, o decreto autorizando a defesa dos judeus foi executado com sucesso em todo o reino persa, e os judeus para comemorar essa grande vitória instituiu a festa do Purim, que significa sorte.  “Mardoqueu escreveu estas coisas, e enviou cartas a todos os judeus que se achavam em todas as províncias do rei Assuero, aos de perto e aos de longe, ordenando-lhes que guardassem o dia catorze do mês de adar e o dia quinze do mesmo, todos os anos” Et 9.20,21.