Os três tempos do Apocalipse (I)


“Escreve as coisas que tens visto, e as que são, e as que depois destas hão de acontecer” Ap 1.19

      No livro de Apocalipse é revelado os três  tempos da história da redenção. O passado (as coisas que tens visto) que fala da pessoa histórica do Senhor Jesus, da sua morte na cruz (1.5,18; 5.9), da sua ressurreição, ascensão e principalmente da sua entronização nos Céus como Senhor de tudo e de todos (a visão do Cristo glorificado no capítulo primeiro do livro 1.9-20;). O presente (as coisas que são) que trata da existência histórica da Igreja, a partir da sua iniciação em Jerusalém como fruto da pregação de Pedro no dia de Pentecostes, até o dia do seu arrebatamento, cujo registro encontra-se nos  capítulos 2 e 3 do livro de Apocalipse.  O futuro (as coisas que depois destas hão de acontecer),que trata de escatologia (capítulos 4 até 22 do livro) cuja ênfase está no período tribulacional (os setes selos, as sete trombetas e as sete taças, no surgimento do anticristo como a besta que sobe do mar e do falso profeta como a besta que sobe da terra), na segunda vinda em glória do Senhor Jesus e do consequente arrebatamento da Igreja, da ressurreição dos mortos, do juízo final e do estado eterno.

      O livro de Apocalipse foi escrito para consolar uma igreja que estava sofrendo perseguição pelo império romano cujo imperador, provavelmente Domiciano, reivindicava adoração como se fosse Deus (96 d.C. - depois de Cristo). O livro ainda foi escrito numa linguagem chamada apocalíptica onde são utilizados muitos símbolos para expressar as verdades reveladas por Deus.

   Nos três artigos seguintes, inclusive  neste, iremos tratar dos temas desses tempos.

      Pensemos um pouco amados no tempo passado enfatizado pelo livro de Apocalipse, na pessoa, vida e obra de nosso Senhor Jesus Cristo. Nesse livro Cristo é apresentado como o cordeiro que foi morto na cruz para nos libertar de nossos pecados. “Não chores; eis aqui o Leão da tribo de Judá, a Raiz de Davi, que venceu para abrir o livro e desatar os seus sete selos. E olhei, e eis que estava no meio do trono e dos quatro animais viventes e entre os anciãos um Cordeiro, como havendo sido morto, e tinha sete pontas e sete olhos, que são os sete Espíritos de Deus enviados a toda a terra” Ap 5.5,6. (veja ainda Ap 1.5; 5.9,10).

      Jesus é apresentado ainda como aquele que ressuscitou dentre os mortos e está vivo para todo o sempre. “... ele pôs sobre mim a sua destra, dizendo-me: Não temas; eu sou o Primeiro e o Último, e o que vive; fui morto, mas eis aqui estou vivo para todo o sempre. Amém! E tenho as chaves da morte e do inferno”  Ap 1.17,18.  Cristo é apresentado também como soberano Senhor do universo a quem estão subordinadas todas as coisas. “E virei-me para ver quem falava comigo. E, virando-me, vi sete castiçais de ouro; e, no meio dos sete castiçais, um semelhante ao Filho do Homem, vestido até aos pés de uma veste comprida e cingido pelo peito com um cinto de ouro. E a sua cabeça e cabelos eram brancos como lã branca, como a neve, e os olhos, como chama de fogo; e os seus pés, semelhantes a latão reluzente, como se tivesse sido refinado numa fornalha; e a sua voz, como a voz de muitas águas. E ele tinha na sua destra sete estrelas; e da sua boca saía uma aguda espada de dois fios; e o seu rosto era como o sol, quando na sua força resplandece” Ap 1.12-16. (Veja ainda Ap 5.11-14).

       Em síntese, nesse tempo falado no Apocalipse, Cristo  é apresentado como sumo Sacerdote e como Rei. Como sumo sacerdote morreu para nos salvar da perdição eterna, e como Rei governa o universo, especialmente aqueles que humildemente aceitaram seu Senhorio.