O Antigo Testamento é Velho?


Mesmo estando vivendo na Dispensação da Graça, onde existe uma legislação específica, não devemos menosprezar as palavras ditas por Deus para as épocas passadas, considerando que elas revelam muito da mente, do caráter e das intenções do Deus Todo-Poderoso.
É importante que consideremos que os princípios divinos, contidos na Dispensação da Lei, onde a legislação foi mais abundante, são eternos e imutáveis, por exemplo: O mandamento da guarda do dia de sábado não é obrigatório para a atual dispensação, mas o princípio de ser reservado um dia da semana dos sete que Deus nos dá, para ser dedicado ao Senhor, permanece. Com esse pensamento valorizamos a Palavra de Deus e damos a ela o destaque que Deus quer que seja dado. “Pois magnificaste acima de tudo o teu nome e a tua palavra” (Sl 138.2).
O descaso de alguns para com o Velho Testamento talvez venha do adjetivo velho, usado na primeira parte do livro sagrado, que significa, entre outras coisas, fora de uso, antiquado, muito idoso, etc.
Não devemos amados considerar como velho, ultrapassado, caduco e sem serventia aquela parte das Sagradas Escrituras. É verdade que a literatura inspirada do Velho Testamento foi produzida na Dispensação da Lei, que perdurou de Moisés até ao Senhor Jesus Cristo (Jo 1.17), e que a legislação que norteou a vida do povo de Deus na Velha Dispensação está registrada nos livros de Êxodo, Levítico, Números e Deuteronômio.
Nós como cristãos não estamos obrigados a guardar a lei mosaica, pois a mesma caducou com a instituição da Dispensação da Graça por nosso Senhor Jesus Cristo, mas lembremo-nos de que Jesus ampliou muitos conceitos encontrados na legislação judaica e os autorizou para observância do cristão, como por exemplo, os mandamentos: “Não Matarás” (Mt 5.21, 22), “Não Adulterarás” (Mt 5.27, 28), “Não perjurarás”, (Mt 5.38-42) etc.
É bom que entendamos que no Velho Testamento não encontramos apenas a lei mosaica e sim, também, os livros históricos que contam a história do povo judeu, os livros poéticos e os livros proféticos, contendo este dois últimos, entre outros preciosos ensinamentos, as profecias sobre o Messias que haveria de vir, e os registros escatológicos do reino messiânico.
Os escritores do Novo Testamento (Pedro, Paulo, Tiago, Judas...) não desprezaram o Antigo Testamento, muito pelo contrário, fizeram dele a sua “Bíblia” e o usaram como base para as pregações e argumentações teológicas. Eles consideravam o Velho Testamento como parte inicial da revelação divina que seria complementada com os escritos inspirados do Novo Testamento.
Para que a Bíblia se harmonize no seu todo (Velho e Novo Testamento), e cada parte dela tenha o seu real valor destinado por Deus, é preciso que distingamos as épocas e assim não se encontrarão brechas para minimizarmos a importância do Velho Testamento na vida da Igreja. Já dizia o celebre Agostinho de Hipona “Distinguam-se as épocas e a Bíblia se harmonizará”.
Concluímos lembrando aos irmãos que toda a Palavra de Deus é pura e santa, inspirada pelo Todo-Poderoso, útil para instrução, consolação e edificação do povo de Deus (2 Tm 3.16).
“Porque tudo o que dantes foi escrito para nosso ensino foi escrito, para que pela paciência e consolação das Escrituras, tenhamos esperança” (Rm 15.4).