Decadência Moral (Corrupção)


Introdução


Neste artigo iremos tratar de um importante assunto revelado nas Sagradas Escrituras e observado no cotidiano da vida do homem sobre a face da terra que é a decadência moral. Ainda neste artigo será enfocado um aspecto da decadência moral do ser humano que é a corrupção.
Segundo o Dicionário de Aurélio, decadência significa “estado daquele ou daquilo que decai; declínio, crespúculo. Segundo esse mesmo Dicionário, corrupção significa “ato ou efeito de corromper; decomposição. Devassidão, depravação. Suborno, peita; Ainda de acordo com esse Dicionário corromper significa: Deteriorar, decompor, alterar, perverter, induzi a realizar ato contrário ao dever, à ética, apodrecer, adulterar-se,... Os significados identificados acima nos dão a idéia clara desse mal no homem, de como ele desceu da posição em que foi criado por Deus.
Devido à importância do assunto, convido ao leitor a seguir os passos identificados nesta lição, relacionados a esse assunto, principalmente olhando para as Escrituras e extrair o que Deus revelou nelas sobre a corrupção.


I – O Homem foi criado puro


Tentando dá um encadeamento lógico ao assunto objeto deste artigo, abordaremos primeiro o estado original do homem, quando saiu das mãos de Deus. A Bíblia nos revela que Deus ao criar o homem o fez a sua imagem e a sua semelhança (Gn 1.26,27). Diz ainda as Sagradas Escrituras que tudo o que Deus fez foi bem feito, perfeito. “E viu Deus tudo quanto tinha feito, e eis que era muito bom: ...” Gn 1.31. No livro de Eclesiastes, a doutrina da pureza do homem na criação original é confirmada, pois, o sábio Salomão, inspirado pelo Espírito Santo, disse que Deus fez o homem reto, mas, ele buscou muitas invenções. “Vede, isto tão-somente achei: que Deus fez ao homem reto, mas eles buscaram muitas invenções” Ec 7.29. Considerando os textos citados concluímos dizendo que o homem foi criado num estado de perfeição e que a corrupção que se instalou em sua natureza foi algo posterior a criação original, pois a Bíblia nos revela que tudo o que saiu das mãos de Deus na criação, especialmente o homem, foi num estado de perfeição, sem pecado, sem corrupção.


II – O Pecado corrompeu a natureza do homem


É necessário voltar ao Édem para explicar o estado corrupto do ser humano a partir da sua desobediência a Deus. A Bíblia nos diz que Deus quando criou ao homem o criou com capacidade de escolher, de livre arbítrio, além de criá-lo puro, perfeito. Dizem-nos as Escrituras que Deus deu uma ordem ao homem para que não comesse do fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal, pois, disse Deus, que no dia em que a comesse certamente morreria (Gn 2.16,17). Infelizmente Adão não conseguiu obedecer a Deus e comeu do fruto proibido, pecando contra o Senhor, e caindo do estado de graça em que tinha sido criado. Ao pecar Adão, imediatamente a corrupção se instalou em sua alma, transtornando a sua natureza que era pura, perfeita. No ato de pecar, de transgredir a ordem de Deus, a corrupção invadiu o seu ser, afetando os seus sentimentos, a sua vontade e a sua inteligência, ou seja, toda a sua personalidade. Isso é tão verdade que o próprio Deus testemunhou da corrupção da natureza humana, quando disse que a imaginação do homem é só má desde a sua meninice. “... porque a imaginação do coração do homem é má desde a sua meninice...” Gn 8.21.
O pior de tudo é que a natureza corrompida de Adão é transmitida de pai para filho, fazendo com que toda a humanidade seja considerada por Deus corrupta e depravada, precisando ser regenerada pelo Espírito Santo para poder ter comunhão com Ele. “Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus” Rm 3.23. “Portanto, assim como por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado, a morte, assim também a morte passou a todos os homens, porque todos pecaram” Rm 5.12.
O pecado cometido por Adão não só trouxe sobre si e sobre os seus descendentes a morte, mas também a corrupção, a deformação da imagem de Deus, a depravação.


III – A Alma é a sede da corrupção


Segundo as Escrituras, na constituição da natureza humana encontram-se duas partes: uma material ou física (o corpo) e a outra imaterial ou espiritual (a alma ou o espírito). A alma ou o espírito expressa-se através do corpo. Quando a alma sai do corpo o individuo morre. Diz a Bíblia que Raquel, esposa de Jacó morreu, porque lhe saiu a alma (Gn 35.18). Tiago disse em sua epístola que um corpo sem o espírito está morto (Tg 2.26).
A alma tem três faculdades: inteligência, vontade e emoções. O corpo como disse alguém é o mero invólucro da alma, pois ela se expressa através dele. Quando Paulo diz que na sua carne não habitava bem algum (Rm 7.18) ele não estava se referindo especificamente aos nervos, tecidos e órgãos que compunham o seu corpo e sim a sua alma, a sua natureza pecaminosa, corrompida pelo pecado. Ele, sábio teólogo que era, compreendia que a raiz do problema residia na sua alma e não especificamente no seu corpo. Comentando Romanos 7.5,6, Dr. William Hendriksen disse: “A expressão “quando estávamos na carne” significa “quando basicamente éramos governados por nossa natureza humana pecaminosa” ... “Embora estas e paixões semelhantes pertençam ao coração e mente de uma pessoa, elas se expressam fisicamente...”. A Igreja Romana na sua doutrina, equivocadamente, ao longo da história, confundiu o problema da raiz do mal do homem deslocando o eixo da sua alma para o seu corpo, daí as flagelações e as penitências para mortificar o corpo, tão incentivadas por ela, tinham a finalidade de evitar o pecado.
Apesar do corpo também ter sido atingido pelo pecado, e a corrupção se expressar através dele como diremos a seguir, é na alma do homem que reside o problema, pois assim declarou o Senhor Jesus quando rebateu a acusação dos fariseus que censuravam os seus discípulos por comerem sem lavar as mãos. O Senhor Jesus disse que do coração do homem procedia tudo o que não presta aos olhos de Deus. “O que contamina o homem não é o que entra na boca, mas o que sai da boca isso é o que contamina o homem” Mt 15.11. “Mas o que sai da boca, procede do coração, e isso contamina o homem. Porque do coração procedem os maus pensamentos, mortes, adultérios, prostituição, furtos, falsos testemunhos e blasfêmias” Mt 15.18,19. ( Veja ainda Mc 7.20-23; Gn 7.21). Quando o Senhor Jesus fala sobre o coração ele está usando uma linguagem figurada, ele está se referindo a alma e não ao órgão que bombeia o sangue para fazê-lo circular no corpo humano, pois se fosse assim apenas um transplante colocando um coração artificial resolveria o problema do pecado e não haveria necessidade da obra redentora de Cristo.


IV – A Corrupção se exterioriza através do corpo


Dissemos no item anterior que o corpo é o invólucro da alma. Dissemos também que o corpo sem a alma habitando dentro dele está morto e a tendência natural é decompor-se no pó da terra.
No seu plano eterno o Criador proveu para a alma, a partícula imortal do ser humano, um invólucro físico que é o seu corpo. O texto sagrado de Gênesis nos diz que Deus fez primeiro o corpo e depois soprou nele o fôlego de vida e o homem tornou-se alma vivente, ou seja, Deus colocou através do seu sopro a alma dentro do corpo e o homem viveu. (Gn 2.7).
Sendo a alma a partícula espiritual do homem e a sede da corrupção ela se expressa através do corpo, tanto em direção ao bem como ao mal. Vejamos o que a Bíblia de Genebra, num breve comentário sobre Rm 7.24, nos diz sobre o assunto quando comenta a expressão “corpo desta morte”: “ou seja, o corpo físico, visto como o meio pelo qual o pecado se expressava....”. O apóstolo Paulo escreveu dizendo que num dia especialmente designado para esse fim Deus irar retribuir aos homens o bem ou mal praticado através do corpo (2 Co 5.10).
Entendemos assim que a corrupção se expressa através do corpo do homem, de suas ações. O roubo, o assassinato, o adultério, a idolatria, ... tudo se expressa através do corpo, mas a intenção é da alma.
É oportuno lembrar que o corpo também foi atingido pelo pecado, fragilizando, tornando-o mortal (Rm 6.23). Convém ainda esclarecer que apesar dessa dicotomia (corpo, alma) o homem é um ser integral aos olhos de Deus, pois no seu plano eterno os atos praticados pelo homem (a alma usando o corpo para se expressar) são de responsabilidade do indivíduo como um todo e não só de sua alma. A prova disso é a ressurreição dos mortos. Tanto o salvo como o perdido ressuscitarão num futuro escatológico. O primeiro para a bem-aventurança eterna e o último para vergonha e horror eterno (Dn 12.2; Jo 5.28). Quando se fala em ressurreição deve se entender que a alma reassumirá o corpo em que viveu neste mundo, evidentemente que com outras propriedades, para habilitá-lo para a eternidade (corpo glorioso ou corpo especial) a fim de poder gozar da felicidade eterna ou sofrer o castigo eterno, dependendo da atitude tomada em relação ao Evangelho de Cristo neste mundo.
Tentar mortificar o corpo ou mesmo mutilá-lo sem tratar com a alma espiritualmente não vai se resolver o problema, porque mesmo com o seu corpo mutilado, sem mãos ou pés, mudo, cego ou surdo o homem continua perverso, mal e depravado diante de Deus, e, se, se não tivesse essas limitações elas iriam se expressar, com certeza, através do seu corpo.


V - O Remédio para a corrupção do homem


Quando o corpo do homem enquanto com vida se apresenta com problema temos médicos e remédios para curá-lo. Isso é a área da medicina e da farmacologia. Quando há distúrbios na mente, os psicólogos e psiquiatras entram em ação até certo ponto, pois os problemas psicológicos e psiquiátricos são distúrbios da alma. A ação dos psicólogos e psiquiatras é extremamente limitada, pois apesar de suas técnicas e drogas utilizadas só alcançam uma pequena parte do problema. As questões maiores, principalmente a deformação do caráter do homem por causa do pecado, só pode ser resolvido, definitivamente, pela benção do Evangelho de Cristo, pois o Evangelho é o poder de Deus para salvação de todo aquele que crê (Rm 1.16,17). Diz ainda a Bíblia que o Evangelho de Cristo pode salvar perfeitamente os que por ele se chegam a Deus (Hb 7.25). A proposta do Evangelho de Cristo atinge o âmago da questão da corrupção, tanto da alma como do seu invólucro, o corpo. Para um grande mal o maior e o melhor de todos os remédios.
A Bíblia nos revela que o Evangelho regenera o homem (Tt 3.4-6), transforma-o em uma nova criatura (2 Co 5.17), o faz nascer de novo (Jo 3.3-8), enfim restaura nele a imagem de Deus. Veja o caso de Zaqueu (Lc 19.1-10) e o de Saulo de Tarso (At 9.1-6), como exemplos de transformação de vidas pelo poder do Evangelho de Cristo.
A morte e a ressurreição de Cristo, que são os pilares do Evangelho, é o único remédio para o mal da corrupção do homem e o homem para ser curado, precisa aceitar a Jesus como Salvador e crer nele.
Investir em educação, moradia, segurança, cultura, são apenas paliativos para a solução do problema da corrupção do coração do homem. Só Deus é capaz de operar esse milagre, de gerar de novo ou regenerar o pobre homem pecador, corrompido pelo pecado, fazendo-o um novo homem que não anda mais segundo a carne, mas, segundo o Espírito.


Conclusão


Neste artigo aprendemos que Deus criou o homem puro, sem pecado e que a corrupção é um mal que alcançou o homem a partir da sua queda no Édem quando nossos primeiros pais desobedeceram a Deus. Vimos também que antes da queda o homem estava livre da corrupção, mas quando a queda aconteceu, ele tornou-se depravado, corrupto. Vimos ainda que a alma, a partícula espiritual do homem é a sede da corrupção. Vimos também que a corrupção se expressa através do corpo e que só o Evangelho de Cristo é a solução para o problema desse terrível mal.
Permita Deus que todos os que vierem a ler este artigo já tenham sido alcançados com a benção do Evangelho de Cristo. Permita ainda Deus que os crentes vivam o Evangelho em sua plenitude, gozando de suas bênçãos e vivendo vitoriosamente em Cristo Jesus.