O Estado Intermediário

O Estado Intermediário


Autor: Pastor Eudes Lopes Cavalcanti


Como foi dito no primeiro artigo publicado recentemente num dos boletins de nossa Igreja sobre Escatologia, a mesma se divide em Escatologia Individual e Escatologia Geral. A Escatologia Individual por sua vez se subdivide em três temas, a saber: a morte, a imortalidade da alma e o estado intermediário, sendo esse último objeto deste artigo, devidos os outros dois já terem sido publicado em boletins anteriores. Tratando-se do Estado Intermediário é bom que entendamos que há uma escassez de material bíblico sobre o assunto, por isso surgiram diversos ensinamentos errôneos sobre o mesmo, tais como o purgatório, a doutrina do aniquilamento, o sono da alma, imortalidade condicional, etc, mas a escassez de material bíblico não quer dizer que a doutrina não possa ser definida, pois existem textos bíblicos que a consolidam, principalmente quando os mesmos são analisados à luz da doutrina geral encontrada na santa Palavra de Deus. Conceituamos Estado Intermediário como aquele estado em que as almas que partiram para eternidade subsistem, num período de tempo que não se pode precisar, entre a morte do indivíduo e a ressurreição do seu corpo. Dissemos que não se pode especificar o período de tempo porque o mesmo está condicionado à Segunda Vinda do Senhor que, segundo as Escrituras, ocorrerá numa data que não foi revelada. Vimos no artigo sobre a imortalidade da alma que a mesma tem existência eterna, não se extingue quando o indivíduo morre fisicamente. Esse elemento imortal (a alma) quando se separa do corpo projeta-se na eternidade, para um dos dois lugares preparados por Deus: Céu para a alma redimida pelos méritos de Cristo e inferno (Hades) para a alma não redimida. Nesse período chamado Estado Intermediário as almas que partiram para a eternidade, por ocasião da morte física do ser humano, estão subsistindo de forma consciente, com todas as suas faculdades (inteligência, vontade e emoções) ativas. Isso pode ser visto com facilidade na parábola do Rico e Lázaro (Lc 16.19-31) bem como na abertura do quinto selo do livro de Apocalipse (Ap 6.9-11). Observem que no texto de Lucas nos é dito que Lázaro no seio de Abraão (Abraão nesse texto representa Deus) estava sendo consolado enquanto o rico estava sendo atormentado. Observem ainda que Deus disse, respondendo a um pedido do rico, que os lugares onde estavam Lázaro e ele eram incomunicáveis e intransponíveis. “E, além disso, está posto um grande abismo entre nós e vós, de sorte que os que quisessem passar daqui para vós não poderiam, nem tampouco os de lá, passar para cá” Lc 16.26. O apóstolo Paulo nos revelou a sua expectativa de que depois da morte, mesmo desencarnado, continuaria existindo na presença do Senhor, e ali gozaria das beatitudes celestiais. “Ora, de um e outro lado, estou constrangido, tendo o desejo de partir e estar com Cristo, o que é incomparavelmente melhor” Fp 1.23. (Veja ainda 2 Co 5.8; Fp 1.21). As almas que partiram para a eternidade permanecerão nesse estado intermediário até o grande dia da Segunda Vinda do Senhor, dia esse em que todas as almas que lá se encontram sairão de seus respectivos lugares onde estavam e retornarão, numa fração de segundo, a terra para reassumir o corpo com o qual viveu neste mundo, agora ressuscitado. Os salvos receberão corpos glorificados e serão arrebatados pelo Senhor, e os perdidos corpos especiais para se apresentar a Deus no grande dia do Julgamento Final, onde cada um será julgado e depois destinado para o seu lugar definitivo, o lago que arde com fogo e enxofre.