A intenção e a forma

A intenção e a forma


Autor: Pastor Eudes Lopes Cavalcanti


Muito tem se falado sobre adoração. Diríamos até que é um dos temas dominantes na vida da Igreja da atualidade.

Olhando para as Sagradas Escrituras podemos extrair que a Igreja do Senhor tem quatro grandes atribuições neste mundo, nessa ordem: adoração, edificação, proclamação e beneficência. No que se refere a essas atribuições, se a Igreja não adorar bem ela não consegue realizar a contento as outras atribuições, pois tudo depende dela.

Um dos grandes momentos da vida da Igreja é quando ela se reúne nos dias convencionados para celebrar ao Deus dos Céus. Esse é um momento sagrado, quando o povo se reúne com o Seu Deus para exaltá-Lo e para bendizer o Seu grande e glorioso nome. Pensamos que nesses momentos os Céus ficam em expectativa esperando que a Igreja celebre ao Senhor de uma maneira que Lhe seja agradável.

Aí é que está a questão – celebrar a Deus de uma maneira que Lhe seja agradável. Observe que a adoração deve ser de uma maneira que agrade ao Senhor e não ao adorador, pois afinal de contas o adorador é apenas o agente e Deus o objeto da adoração.

Ainda olhando para as Escrituras descobrimos que Deus estabelece dois grandes critérios através dos quais podemos ter certeza de que estamos adorando a Deus de uma maneira que Lhe agrade. Um dos critérios é a intenção e o outro é a forma. Isto pode ser observado no primeiro ato de adoração que temos notícia, que foi os cultos prestados por Abel e Caim. Abel ofereceu das primícias do seu rebanho uma oferenda a Deus e Caim dos frutos da terra. A Bíblia diz que Deus agradou-se de Abel, ou seja, da sua intenção, e também do tipo da sua oferta, ou seja, da forma. Diz ainda a Bíblia que Deus não se agradou de Caim nem de sua oferta. (Gn 4.3-5).

Por que essa aparente discriminação por parte de Deus se os dois Lhe ofereceram cultos?

Tratando-se da intenção, precisamos entender que as coisas que fazemos para Deus devem ser feitas de todo o nosso coração, como oferta de amor e de gratidão. “E, tudo quanto fizerdes, fazei-o de todo o coração, como ao Senhor e não aos homens” Cl 3.23.

Tratando-se da forma, é preciso compreender, olhando para o culto prestado por Abel, que ele foi do agrado de Deus porque Abel estava oferecendo algo sintonizado com o programa redentor de Deus através de Cristo, ou seja, um sacrifício com sangue (Jesus era o cordeiro de Deus que iria derramar o seu sangue pelo seu povo). Já Caim com o oferecimento de frutos da terra demonstrou que não tinha nenhuma sintonia com o programa divino.

Irmãos, o Senhor Jesus é o mediador entre Deus e os homens (1 Tm 2.5) e tudo o que oferecemos a Deus deve ser por ele. “Portanto, ofereçamos sempre, por ele, a Deus sacrifício de louvor, isto é, o fruto dos lábios que confessam o seu nome” Hb 13.15. Isto quer dizer que Deus só aceita o culto prestado por alguém que estar em Cristo, que seja um crente de fato.

O culto evangélico é um conjunto de quatro coisas: oração, louvor, leitura e exposição da Palavra de Deus e ofertório. Tudo Isso deve ser feito com fé, com sinceridade de coração, com gratidão, com reverência e com muito temor.

Outra coisa a considerar é que culto a Deus não é nenhum show onde o homem é celebrado e honrado, e não deve ser feito de qualquer maneira, nem muito menos para agradar ao adorador e sim somente a Deus.