Administração Eclesiástica


Autor: Pr. Eudes Lopes Cavalcanti

Administração Eclesiástica

I - ADMINISTRAÇÃO RELACIONADA À IGREJA

01) DEFINIÇÃO DE TERMOS

Administrar é gerir de forma eficaz os recursos de uma organização.
Eclesiástica relaciona-se a Igreja, ekklesia no grego.

02) CONCEITOS

Antes de conceituarmos Administração Eclesiástica, é conveniente que entendamos o que é administração:
“Administração é o processo de planejar, organizar, liderar e controlar o trabalho dos membros da organização, e de usar todos os recursos disponíveis da organização para alcançar alvos estabelecidos.” James Stoner
Agora, com essa informação, podemos conceituar Administração Eclesiástica como sendo o conjunto de atividades que tem como finalidade precípua proporcionar a gestão dos recursos (humanos, materiais, financeiros e técnicos) dentro de uma instituição religiosa (Igreja), visando atingir os objetivos propostos em seu planejamento.
Observemos outro conceito de Administração Eclesiástica:
“Administração Eclesiástica é o estudo dos diversos assuntos ligados ao trabalho do Pastor, no que tange à sua função de líder ou administrador principal da igreja a que serve”. Nemuel Kessler.

03) A IMPORTÂNCIA DO ESTUDO DA ADMINISTRAÇÃO ECLESIÁSTICA

O estudo da Administração Eclesiástica é importante por causa das razões abaixo identificadas:
1. A Existência de pressupostos Bíblicos
2. A Igreja é uma Instituição Jurídica
3. A Igreja tem objetivo a cumprir neste mundo
4. A Igreja lida com recursos de diversas naturezas
5. A Igreja tem responsabilidade perante os Seus membros.
6. A Igreja tem responsabilidade perante o Estado Brasileiro.

04) PRESSUPOSTOS BÍBLICOS

A Bíblia Sagrada mesmo sendo um livro escrito na Antigüidade, pode ser considerada como um verdadeiro manual atualizado de Administração, senão vejamos:
1. Divisão do trabalho, seleção de pessoal, delegação de autoridade, cadeia de comando,... (Conselho de Jetro a seu genro Moisés - Ex 18.13-27);
2. Seleção de pessoal, especialização, divisão do trabalho (Os artífices da obra do Tabernáculo - Ex 31.1-11; 35.30-35);
3. Organização, segurança, funcionalidade (Acampamento e marcha das tribos de Israel - Nm 2.1-34);
4. Seleção de pessoal, divisão do trabalho, definição de responsabilidade, delegação de autoridade,... (Serviço no Tabernáculo – Nm 3.1-4; 40);
5. Seleção de pessoal, divisão do trabalho, especialização, cadeia de comando,... (Estabelecimento de cantores e músicos - 1 Cr 15.16-22);
6. Supervisão, divisão do trabalho, especialização,... (Administradores das possessões de Davi - 1 Cr 27.25-31);
7. Assessoria, consultoria (Os conselheiros de Davi - 1 Cr 27.32-34);
8. Divisão do trabalho, delegação de autoridade, produtividade (A reconstrução da cidade de Jerusalém – Ne 3.1-4);
9. Seleção de pessoal, delegação de autoridade, capacitação, manual de instrução ( A escolha dos apóstolos – Mt 10.1-42);
10. Organização, divisão do trabalho, cadeia de comando (A multiplicação dos pães - Mt 14.13-21);
11. Seleção de pessoal, capacitação, divisão do trabalho, delegação de autoridade (A escolha de Diáconos – At 6.1-7);
12. Seleção de pessoal, capacitação, habilidades gerenciais (Tt 1.5-9 – A escolha de Presbíteros).

05) OS TIPOS DE ORGANIZAÇÕES

As organizações dividem-se em dois tipos básicos, a saber:
1. As Organizações com Fins Lucrativos – Esse tipo de organização tem como meta principal de suas atividades a busca incessante do lucro. Entenda-se como lucro a relação positiva entre o que ela gasta e o que ela recebe com a venda de seus produtos ou serviços, ou seja, entre a receita e a despesa. (As lojas comerciais, as indústrias, os bancos etc.)
2. As Organizações sem Fins Lucrativos – Esse tipo de organização não tem como meta final de suas atividades a busca do lucro. (As associações de classe, os sindicatos, as Igrejas etc.)
(Para cada um desses tipos de organização há uma legislação específica no nosso País)

06) AS PARTES COMPONENTES DE UMA ORGANIZAÇÃO

As organizações, quer tenham elas fins lucrativos ou não, inclusive as igrejas, geralmente têm as seguintes partes componentes:
1. A cultura organizacional (os valores, as peculiaridades, etc.)
2. As pessoas que fazem a organização (os membros, os congregados e os contratados)
3. Os bens materiais da organização (patrimônio móvel)
4. As instalações da organização (patrimônio imóvel)
5. Os procedimentos de trabalho dentro da organização (o modo de fazer as coisas)
6. As finanças da organização (o dinheiro arrecadado através de ofertas e dízimos)
7. Os custos da organização (as despesas ordinárias e extraordinárias para fazer face ao seu funcionamento)
8. A contabilidade da organização (a escrituração contábil de receita e despesa; balancete, balanço etc.)

07) AS FUNÇÕES DENTRO DE UMA ORGANIZAÇÃO

Nas organizações, geralmente, encontramos o seguinte grupo de funções pelas quais são norteadas as suas ações:
a) Organização
– Estruturar a organização (organograma)
– Estruturar o trabalho
– Definir linhas de comando (delegação de autoridade)
– Estabelecer relações
– Definir responsabilidades
– Definir sistemas de informações
b) Comando
– Elaborar as políticas que nortearão a organização
– Escolher equipe (quadro de colaboradores)
– Tomar decisões
– Disponibilizar recursos
– Motivar equipe
– Redirecionar o planejamento quando necessário
c) Planejamento
– Estabelecer objetivos
– Definir meios para alcançar os objetivos
– Identificar volume de recursos necessários
– Acompanhar a execução do planejamento
– Elaborar planos alternativos
d) Coordenação
– Distribuir o trabalho em equipe
– Acompanhar a execução do trabalho
– Motivar as equipes
– Corrigir as distorções
e) Controle
– Acompanhar a execução
– Avaliar resultados
– Corrigir distorções na execução
f) Execução
– Executar segundo padrão pré-estabelecido
– Auto-avaliar os métodos de execução

II - A IGREJA

1 – DEFINIÇÃO DE TERMOS E CONCEITO

A palavra igreja é de origem grega (ekklesia) e que significa um grupo de pessoas tiradas para fora, ou ainda assembléia.
Dentro do conceito neotestamentário, uma igreja cristã é um agrupamento de pessoas chamadas por Deus e tiradas do mundo pelo poder redentor de nosso Senhor Jesus Cristo, regeneradas, batizadas com ou em água, que professam a Cristo como Salvador pessoal, unidas pelo Espírito Santo, que se reúnem para cultuar a Deus em espírito e em verdade, edificar-se mutuamente e para anunciar o Evangelho, tendo como seu único Senhor a pessoa de Jesus Cristo, e tendo a Bíblia como única regra de fé e prática.

2 – CLASSIFICAÇÃO

No estudo da Eclesiologia (a doutrina da Igreja) a Igreja é dividida em dois tipos, a saber: Igreja Universal e Igreja Local. 
Por Igreja Universal, entende-se o conjunto de todos os salvos, segundo o beneplácito da vontade de Deus, em todas as épocas, inclusive, aqueles que ainda serão salvos no futuro, cujos nomes estão escritos no livro da vida do Cordeiro, antes da fundação do mundo.
Por Igreja Local, entende-se uma parcela da Igreja Universal, formada de crentes de uma determinada localidade, organizados em uma comunidade que tenham o seu pastor e oficiais, e que seguem um padrão bíblico neotestamentário.

3 – A MISSÃO DA IGREJA

A Igreja tem como missão da parte de seu Senhor quatro coisas, a saber:
a – Adorar a Deus em espírito e em verdade (Adoração) - Jo 4.23-24; Sl 96.6-9; 95.1-3
b – Promover a edificação de seus membros (Edificação) - Ef 2.19-22; 4.11-16; 2 Pe 3.18
c - Pregar o Evangelho e fazer discípulos (Evangelização) - Mc 16.15, 16; Mt 28.19-20; Lc 24.47; At 1.8
d – Cuidar dos santos necessitados (Beneficência) - At 6.1-7; Rm 12.12; Hb 13.16

4 – O GOVERNO ECLESIÁSTICO DA IGREJA

As mais comuns formas de governo de igrejas evangélicas são: Episcopal, Presbiteriana e Congregacional. 
a - A forma de governo Episcopal ou Prelática é aquela em que o poder de mando está nas mãos dos bispos ou prelados e no clero mais alto. As igrejas Romana, gregas, anglicanas, e muitas outras do Oriente utilizam essa forma de governo.
b – A forma de governo Presbiteriana ou Oligárquica é aquela em que o governo reside nas mãos dos presbíteros eleitos pela igreja para um determinado mandato. As igrejas escocesas, luteranas e presbiterianas usam essa forma de governo.
c – A forma de governo Congregacional ou Independente é aquela em que o governo reside nas assembléias das igrejas locais, onde os assuntos são tratados e resolvidos de acordo com a vontade da maioria dos membros presentes nas assembléias. As igrejas batistas, congregacionais, independentes e ainda outros grupos usam essa forma de governo.

5 – A DINÂMICA DA IGREJA

Na dinâmica da Igreja, trataremos do Culto, da sua Programação e de seu Calendário de Eventos.
Uma ênfase especial deve ser dada pela Igreja ao culto.
a - Conceito – O culto é uma manifestação sincera da alma crente com a finalidade de adorar, louvar e glorificar ao Deus triúno.
b – Importância – O culto é importante pelas razões abaixo:
– Os seres celestiais o praticam nos céus – 1 Rs 22.19; Is 6.1-3; Ap 4.8-11; 5.8-14; 12.15-17;...
– Os servos de Deus da Antiga Dispensação o praticaram – Gn 4.14 (Abel); Gn 8.20-21 (Noé); Gn 12.8; 13.18; 21.33 (Abraão); Gn 26.25 (Isaque) Gn 28.18-22 (Jacó) ...
– A Igreja primitiva o praticou – Lc 24.52-53; At 1.13-14; 2.1,46-47; 1 Co 14.26; ...
– O Senhor Jesus o enfatizou – Mt 4.10; Jo 4.23-24
– O apóstolo Paulo o enfatizou – Rm 12.1-2; 1 Co 14.1
– É uma obrigação da criatura para com o seu Criador, do crente para com o seu Deus – Rm 1.18-21,25; Sl 95.6-7
– Atende a uma necessidade da alma humana – Gn 4.1-7; Sl 63.1-4; 42.1-4
c – As Partes Componentes do Culto
Geralmente, o culto compõe-se das seguintes partes:
– Oração – At 4.23-31
– Louvor – At 16.25
– Leitura e Exposição da Palavra de Deus – Ne 8.5-8
– Ofertório – Lc 21.1-4
- Pastorais (avisos)
d - Os Tipos de Culto
Geralmente, encontramos nas Igrejas os seguintes tipos de cultos:
– Culto de Oração – At 12.5, 12
– Culto Doutrinário – 1 Co 14.26
– Culto de Evangelização – At 8.5-6
- Cultos Especiais – At 14.27;
e – As Bênçãos Oriundas do Culto
Grandes são as bênçãos advindas do culto prestado a Deus com sinceridade de coração:
– Despertamento Espiritual – Ef 5.14
– Fortalecimento Espiritual – Ef 6.10
– Crescimento Espiritual – 2 Pe 3.18
– Comunhão Espiritual – 1 Jo 1.3
f - A liturgia do Culto (a forma prescrita)
A liturgia do culto é importante, mas deve-se ter o cuidado de não torná-la muito rígida. Abaixo encontramos um modelo de liturgia de um culto:
– Prelúdio
– Oração Invocatória
– Louvor Congregacional
– Leitura das Sagradas Escrituras
– Oração
– Louvor (Conjuntos, solo, quarteto,...)
– Pregação
– Oração
– Ofertório
– Pastorais
– Louvor Congregacional
– Oração e Bênção Apostólica
– Poslúdio

6 - A PROGRAMAÇÃO DA IGREJA

As reuniões da Igreja devem ser todas programadas e estarem bem divulgadas no meio da Congregação, para que se crie o hábito de sua freqüência rotineira.
Geralmente, as Igrejas programam as suas reuniões de formas semanal, quinzenal ou mensal. Abaixo encontramos um exemplo de uma programação semanal:
Domingo (09h – 11h) – Escola Bíblica Dominical
(18h - 20h) – Culto Público
Terça-feira (19h30m - 21h) – Culto de Oração
Quarta-feira (19h30 – 21h) – Culto da Auxiliadora
Quinta-feira (19h30m – 21h) – Culto Doutrinário
Sexta-feira – (19h30 – 21h) - Culto do Departamento de Homens
Sábado (19h30 – 21h) – Culto da Mocidade

7 - CALENDÁRIO DE EVENTOS

A Igreja deve ter um calendário de eventos onde serão contempladas as suas datas magnas (aniversário de organização, aniversário do pastorado, sexta-feira da paixão de Cristo, Natal, etc), campanhas evangelísticas e missionárias, Encontro de Casais, de jovens, etc. Nesse calendário de eventos deve ser colocado o nome do evento, a data de sua realização e o órgão da Igreja responsável pela sua execução. Também deve ser ele afixado em lugar visível para que todos os membros e congregados tenham condição de conhecê-lo a fim de que, entre outras coisas, se programarem e orarem pelos eventos. O calendário irá evitar superposição de eventos.
Segue abaixo um modelo de calendário de eventos:

III IGREJA EVANGÉLICA CONGREGACIONAL DE JOÃO PESSOA
CALENDÁRIO DE EVENTOS – 2003

MES DIA EVENTO RESPONSÁVEL
JAN 11, 12 ANIVERSÁRIO DA MOCIDADE DEPTO. MOCIDADE
FEV 19 ANIVERSÁRIO PR. WILTON IGREJA
MAR 1 – 4 RETIRO ESPIRITUAL IGREJA
08 DIA INTERNACIONAL DA MULHER DEPTO. FEMININO
19 ANIVERSÁRIO DO CIRC. ORAÇÃO DEPTO. FEMININO
ABR 04 VIGÍLIA DE ORAÇÃO DEPTO. HOMENS
26, 27 CAMPANHA EVANGELÍSTICA IGREJA
MAI 01 DIA DO JOVEM CONGREGACIONAL DEPTO. MOCIDADE
11 DIA DAS MÃES DEPTO. HOMENS
26 - 30 SEMANA DO LAR IGREJA
JUN 08 DIA DOS OFICIAIS IGREJA
21, 22 CONFERÊNCIA MISSIONÁRIA DEPTO. FEMININO
JUL 7 – 11 EBF – ESCOLA BÍBLICA DE FÉRIAS DEPTO. INFANTIL
11 DIA MULHER CONGREGACIONAL DEPTO. FEMININO
13 ANIVERSÁRIO DO CORAL DEPTO. CORAL
19 ANIVERSÁRIO PASTORADO IGREJA
19, 20 ANIVERSÁRIO DA IGREJA IGREJA
AGO 10 ANIVERSÁRIO DA ALIANÇA IGREJA
10 DIA DOS PAIS DEPTO. FEMININO
24 DIA DO CONGREGACIONALISMO (19)
DIA DA ESCOLA DOMINICAL (19) IGREJA
SET 12, 13, 14 ENCONTRO DE CASAIS IGREJA
20, 21 CAMPANHA EVANGELISTICA IGREJA
26 VIGÍLIA DE ORAÇÃO DEPTO. DE MOCIDADE
OUT 02 DIA DO PASTOR CONGREGACIONAL IGREJA
02 ANIVERSÁRIO DO PR. EUDES IGREJA
11, 12 2ª CONFERÊNCIA MISSIONÁRIA DEPTO. DE HOMENS
12 DIA DAS CRIANÇAS DEPTO. INFANTIL
18, 19 ANIVERSÁRIO VALENTINA CONG. VALENTINA
24, 25, 26 ANIVERSÁRIO DEPTO. FEMININO DEPTO. FEMININO
NOV 07, 08 ANIVERSÁRIO DE MONS. MAGNO CONG. VALENTINA
14, 15 ANIV PONTO PREGAÇÃO BANCÁRIOS IGREJA
28, 29, 30 ANIVERSÁRIO DEPTO. HOMENS DEPTO. DE HOMENS
DEZ
6, 7 ANIV. DEPTO. FEM. /VALENTINA CONG. VALENTINA
14 DIA DA BÍBLIA IGREJA
24 NATAL IGREJA
26 JANTAR CONFRATERNIZAÇÃO IGREJA
31 CULTO DE VIGÍLIA IGREJA

III – O FUNCIONAMENTO ECLESIÁSTICO DA IGREJA

1) AS ORDENANÇAS DA IGREJA

O Senhor Jesus deixou para serem observadas pela sua Igreja duas ordenanças: O batismo cerimonial e a ceia memorial. Batizar os novos convertidos e celebrar a ceia não é uma opção da Igreja e sim uma obrigação, devido a uma ordem expressa do Senhor Jesus nesse sentido. “Portanto, ide, ensinai todas as nações, batizando-as em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo;...” Mt 28.20. “E, tomando o pão e havendo dado graças, partiu-o e deu-lho dizendo: isto é o meu corpo, que por vós é dado; fazei isso em memória de mim. Semelhantemente, tomou o cálice, depois de cear, dizendo: este cálice é o Novo Testamento no meu sangue, que é derramado por vós.” Lc 22.19,20.

a) O Batismo Cerimonial

A Bíblia fala na doutrina de batismos (Hb 6.2), e, ao examiná-la encontramos informações sobre o batismo de arrependimento ministrado por João Batista como preparação do povo de Israel para a recepção do Messias (Mt 3.1-12; Mc 1.18; Lc 3.1-20; Jo 1.6-8, 15-37); sobre o Batismo da regeneração que é o derramar do Espírito Santo sobre a pessoa no ato de sua conversão (Tt 3.5,6); sobre o batismo com ou no Espírito Santo que é a inserção do crente no corpo místico de Cristo, que é a igreja (1 Co 12.13); sobre o batismo de sofrimento que é a identificação do cristão com os sofrimentos de Cristo pelo seu corpo que é a Igreja (Lc 12.50; Mc 10.38,39; At 12.1,2); sobre o batismo em nome dos mortos que era um costume localizado na igreja de Corinto de difícil explicação (1 Co 15.29), e sobre o batismo cerimonial para os novos conversos ao Cristianismo (Mt 28.18-20; At 2.41; 8.12; 9.18; 10.48; 16.15,33;...).
Neste trabalho iremos nos ater apenas ao batismo cerimonial.
1 - Significado do Batismo Cerimonial
O batismo pode ser definido como um rito de iniciação do crente a fé cristã através da Igreja. É ainda o batismo, como disse alguém, uma manifestação externa de uma graça interna, ou ainda, um testemunho público da fé cristã, através do qual o crente mostra ao mundo que aceitou a Jesus como Salvador e que tomou a firme decisão de viver para Ele, servi-Lo e adorá-Lo, isto pela Igreja, para todo o sempre.
2. O simbolismo do batismo
O batismo cerimonial significa para os imersionistas a identificação do converso com a morte e a ressurreição do Senhor Jesus e para os aspersionistas a lavagem purificadora do sangue de Cristo aplicada na pessoa no ato de sua conversão. Significa ainda para os aspersionistas o derramar do Espírito Santo sobre o crente no ato de sua conversão.
Tratando do batismo é conveniente enfocar que existe uma controvérsia no meio evangélico quanto à maneira de administrar essa cerimônia. Basicamente, a polêmica gira em torno da imersão e da aspersão. Os grupos que defendem essas posições se arvoram de serem originais e estarem praticando aquilo que foi praticado no início do Cristianismo. Para os irmãos imersionistas a palavra batismo simboliza morte e ressurreição (Rm 6.4; Cl 2.12). Para os aspersionistas o batismo simboliza a lavagem purificadora efetuada pelo sangue de Jesus no ato da conversão ou ainda o derramar do Espírito Santo sobre o salvo no ato da sua conversão (Tt 3.5,6).
Os imersionistas usam como argumentos para justificarem a sua maneira de administrar o batismo a teoria JJJ, ou seja, Jordão, Jerusalém, João. Vejamos o que diz Ebenézer Soares sobre o assunto: “Os batistas não são intransigentes, mas são coerentes com o que a Bíblia ensina. Muitos são os exemplos escriturísticos sobre a imersão. Eles não deixam margem a outras interpretações: Jesus foi batizado em água (Mt 3.16) o eunuco foi batizado em água (At .38). João apelidado o Mergulhador (o Batista), dizia: (...) vim batizando em água (Jo 1.31). A Bíblia diz que ele batizava também em Enom, perto de Salim, porque havia ali muitas águas; e o povo ia e era batizado (João 3.23). Além dos exemplos citados, temos ainda o argumento do simbolismo. O batismo simboliza morte e ressurreição (Rm 6.4)”.
Os aspersionistas dizem, como já vimos, que o batismo simboliza a purificação do sangue de Jesus proporcionada pelo derramamento do Espírito Santo sobre a pessoa no ato de sua conversão e justificam dizendo que na religião judaica, de onde o Cristianismo se originou, todos os rituais de purificação eram realizados por aspersão e não por imersão. “porque, havendo Moisés anunciado a todo o povo todos os mandamentos segundo a lei, tomou o sangue dos bezerros e dos bodes, com água, lã purpúrea e hissôpo e aspergiu tanto o mesmo livro como todo o povo, dizendo: Este é o sangue do testamento que Deus vos tem mandado. E semelhantemente aspergiu com sangue o tabernáculo e todos os vasos do ministério. E quase todas as coisas, segundo a lei, se purificam com sangue;...” (Hb 9.19-22). Além disso, argumentam os aspersionistas que os batismos realizados pela igreja primitiva registrados nas Sagradas Escrituras o foram por aspersão: Paulo foi batizado em pé (At 9.18; 22.16). Os gentios que estavam na casa de Cornélio e que, após a pregação de Pedro, foram batizados de imediato, foram por aspersão, considerando a improbabilidade de haver já um tanque preparado para tal ocasião (At 10.47,48). O carcereiro de Filipos foi batizado juntamente com os seus, logo após a conversão, em sua casa, onde era também muito improvável que tivesse ali um tanque para imergir aqueles batizandos, e assim por diante.
Mas deixemos a discussão teológica sobre a forma de batizar e vejamos outras coisas sobre o batismo:
- A Obrigatoriedade do Batismo
O batismo cerimonial é obrigatório porque é uma ordenança de nosso Senhor Jesus Cristo para a sua igreja (Mt 28.19).
- A Fórmula Usada na Administração do Batismo
O Senhor Jesus ensinou que o batismo fosse realizado em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo, ou seja em nome das pessoas da Santíssima Trindade (Mt 28.19).
- O Ingrediente Usado na Realização do Batismo
Na realização do batismo deve ser usada água para a cerimônia. “... eis aqui água; que impede que eu seja batizado?” (At 8.36; 10.47)
- As Limitações do Batismo
O batismo não salva nem tão pouco ajuda na salvação de ninguém nem também faz o crente mais consagrado ou mais abençoado (Lc 24.42,43)
- A competência para a Realização do Batismo
Só quem pode administrar o batismo é um ministro do Evangelho devidamente credenciado pela sua Denominação. Lembremo-nos de que o Senhor Jesus determinou que os seus apóstolos batizassem. Os apóstolos, por sua vez, impuseram as suas mãos em outros obreiros autorizando-os assim a realizarem esse ato ministerial. De maneira que é a imposição de mãos que dá autorização para o obreiro administrar o batismo.
- Quando se Deve Administrar o Batismo
O batismo deve ser administrado após uma pública declaração de fé por parte do batizando. Filipe, o evangelista só batizou o eunuco, mordomo-mor de Candace, rainha dos etíopes, quando o mesmo fez a sua confissão de fé de que cria em Jesus Cristo. “... que impede que seja batizado? É lícito, se tu crês de todo o teu coração. E respondendo ele, disse: creio que Jesus Cristo é o Filho de Deus. Então mandou parar o carro, ambos desceram à água, e Filipe batizou o eunuco.” (At 8.36-38). Consideremos o caso dos irmãos presbiterianos que batizam crianças. Nesse caso os responsáveis pelas crianças são quem fazem a declaração de fé por elas, conforme reza o Manual Presbiteriano.
Há de se considerar ainda que os batismos realizados no início da história da Igreja o foram de imediato, após a conversão, devido às circunstâncias adversas enfrentadas na época, tais como perseguição ao Evangelho, rápida expansão do cristianismo, ministério itinerantes dos obreiros, etc.
Hoje, o bom senso e a prudência mandam que não batizemos de imediato o converso e sim que o preparemos para isso, mediante uma série de estudos apropriados, bem como o examinemos acerca da autenticidade de sua fé, e assim o admitamos ao batismo.

a) A Ceia Memorial

O Senhor Jesus no cenáculo, onde estava reunido com os seus apóstolos, na cidade de Jerusalém, após celebrar a última Páscoa da qual participou, instituiu a Ceia Memorial, como símbolo de sua morte redentora. “Enquanto comiam (a Páscoa), tomou Jesus um pão e, abençoando-o, o partiu e o deu aos discípulos, dizendo: Tomai, comei; isto é o meu corpo. A seguir tomou um cálice e, tendo dado graças, o deu aos discípulos, dizendo: Bebei dele todos; porque isto é o meu sangue, o sangue da nova aliança, derramado em favor de muitos, para remissão de pecados.” Mt 26.26-28. Veja ainda Mc 14.22-26; Lc 22.14-20; 1 Co 11.23-26.
- O Significado da Ceia
A ceia é o símbolo memorial da morte redentora de nosso Senhor Jesus Cristo.
- Os Elementos Usados na Celebração da Ceia
Na celebração da Ceia devem ser usados apenas dois elementos: o pão e o vinho. Ambos com a sua representatividade. O pão representa o corpo de nosso Senhor Jesus Cristo que foi partido em nosso lugar na cruz do Calvário. O vinho representa o Seu sangue que foi derramado para a nossa eterna redenção e contínua purificação de nossos pecados.
- Como Deve Ser Celebrada a Ceia do Senhor
A Ceia do Senhor deve ser celebrada em culto solene com a presença de todos os membros da Igreja.
- Quando e Como o Crente Deve Participar da Ceia
O Crente deve participar da Ceia estando em comunhão com Deus e com a Igreja a que pertence. Tratando-se de crente novo, a sua participação na Ceia deverá ser feita após a sua filiação a Igreja visível e local, através do batismo cerimonial.
- Quem Deve Celebrar a Ceia Memorial
A Ceia do Senhor deve ser celebrada por um Ministro do Evangelho devidamente credenciado.
- A Periodicidade da Celebração da Ceia
O Senhor Jesus não estabeleceu uma periodicidade para a celebração da Ceia, ficando isso a critério da Igreja local.
- A Mensagem Anunciada na Celebração da Ceia
Duas são as mensagens anunciadas no momento em que a Ceia é celebrada: Uma mensagem é redentora (a morte do Senhor) e a outra escatológica (até que venha), conforme entendemos do que o apóstolo Paulo disse em 1 Co 11.26: “Porque todas as vezes que comerdes este pão e beberdes este cálice anunciais a morte do Senhor, até que venha.”
- As Conseqüências da Participação da Ceia
Analisando 1 Co 11.30, entendemos que a participação da Ceia pode trazer para o crente bênção ou juízo de Deus, dependendo de como ele participa da mesma: Se dignamente ou se indignamente. Paulo esclarece que o não discernimento do corpo do Senhor, isto é, da importância do sacrifício realizado na cruz do Calvário pode trazer culpa para o comungante, tornando-o réu do corpo e do sangue do Senhor (1 Co 11.27). Como consequências dessa participação de forma indigna da Ceia, Paulo discriminou alguns males: fraqueza, doença e até morte prematura (1 Co 11.30). Agora, a participação da Ceia de forma digna traz para o crente, bênçãos do céu, quais sejam: edificação espiritual, renovação de vida, alegria no Espírito Santo, etc.

2 - A DISCIPLINA ECLESIÁSTICA

O Senhor Jesus autorizou a Sua Igreja a exercer autoridade e disciplina sobre os seus membros faltosos. Ensinando sobre o tratamento de falta cometida por um membro de uma comunidade eclesial, o Senhor disse que primeiro o assunto fosse tratado entre as partes envolvidas. Caso não se tivesse sucesso, o assunto voltasse a ser tratado na presença de testemunhas crentes. Continuando ainda o impasse, o Senhor autorizou que o assunto fosse tratado pela Igreja. “E, se não as escutar, dize-o a igreja, e, se também não escutar a igreja, considera-o como um gentio e publicano. Em verdade vos digo que tudo o que ligardes na terra será ligado no céu, e tudo o que desligardes na terra será desligado no céu.” Mt 18.17,18.

1) O QUE É DISCIPLINA


A palavra disciplina é de origem latina e significa “ação de instruir; educação; ensino”.

2) A FINALIDADE DA DISCIPLINA


A Igreja deve usar a disciplina com a finalidade de manter a sua pureza apostólica, conforme a doutrina revelada na Palavra de Deus.

3) OS TIPOS DE DISCIPLINAS


- Disciplina Formativa – É o tipo de disciplina que têm a finalidade de corrigir as falhas do povo de Deus, através da ministração do ensino das Sagradas Escrituras. 2 Tm 3.16,17.
– Disciplina Corretiva – É o tipo de disciplina que é aplicado pela Igreja, visando corrigir uma falta, de dimensão significativa, cometida por um dos seus membros. Esse tipo de disciplina, geralmente, tem implicação na suspensão temporária dos direitos e privilégios do crente no seio da Igreja. (Gl 6.1).
– Disciplina Cirúrgica – É aquele tipo de disciplina que é aplicado visando afastar ou remover a pessoa faltosa do meio da Igreja, ou seja, excluí-lo como membro, isso só para caso extremos como, por exemplo, apostasia ou impenitência. (Rm 16.17,18; 1 Co 5.1-5, 13).

4) O PODER DADO A IGREJA PARA DISCIPLINAR


Devido ser grande a responsabilidade nessa área da disciplina eclesiástica, o Senhor autorizou a Igreja executá-la. Só a Igreja como comunidade ou aos oficiais com delegação expressa da Igreja, é que estão autorizados a aplicar a disciplina sobre os seus membros.

5) A QUESTÃO ÉTICA DA DISCIPLINA


Duas coisas devem ser trabalhadas na questão da ética quando do trato com as falhas dos irmãos em Cristo:
Uma é termos o cuidado para não divulgarmos suspeitas sobre o comportamento dos crentes sem que antes tenhamos provas concretas de que os mesmos são culpados dos males que lhes acusam. Observemos o caso de Maria, esposa de José. Se José fosse aquele tipo de crente em que a questão ética não tivesse nenhum valor tinha feito a maior confusão quando Maria apareceu grávida. Diz a Bíblia que para não infamá-la resolveu deixá-la secretamente. (Mt 1.19). Mesmo o crente sabendo que alguma caso seja verdadeiro, não deve andar espalhando por aí as fraquezas de seus irmãos em Cristo.
A outra coisa a considerar, é aquela que se refere a uma igreja não respeitar a disciplina de outra igreja. Às vezes um crente comete um desatino no meio de uma comunidade evangélica e é disciplinado por isso, e sem se reconciliar com a igreja a qual pertencia é recebido por outra igreja como membro, como se nada de anormal tivesse acontecido. E muitas vezes essa recepção se dá mesmo sabendo qual a razão que levou à Igreja a aplicar a disciplina.

6) A MANEIRA CORRETA DE APLICAR A DISCIPLINA


Toda disciplina deve ser aplicada visando restaurar a vida espiritual da pessoa envolvida. Assim sendo, a disciplina deve ser aplicada da seguinte maneira:
– Com critério (1 Co 6.1-6; Mt 18.16; 1 Tm 5.19)
– Com bom senso (1 Tm 5.21)
– Com amor fraternal (Gl 6.1)
– com firmeza (1 Co 5.9-13; 1 Tm 5.20)

IV – O FUNCIONAMENTO ADMINISTRATIVO DA IGREJA

1 – ESTRUTURA ORGANIZACIONAL

Por estrutura organizacional dizemos das divisões de uma organização (Presidência, Assessorias, Departamentos, Ministérios, etc) por onde estão distribuídos os recursos humanos e materiais bem como os procedimentos agrupados em afinidades, interligados entre si, funcionando com o objetivo de atender aquilo que está previsto em sua missão. A estrutura organizacional é representada graficamente por um organograma (Veja anexo I).

2 – O ESTATUTO DA IGREJA

a) Conceito
Estatuto é o conjunto de normas que tem a finalidade de estabelecer o funcionamento organizacional de uma sociedade qualquer.
b) Pressuposto Legal
“Nenhuma sociedade pode existir ou funcionar em território nacional sem ser juridicamente constituída.” (Código Civil Brasileiro). O que constitui juridicamente uma sociedade é seu estatuto, registrado em cartório.
c) Algumas Razões porque uma Igreja deve ter um estatuto
- Sem a existência de estatuto devidamente registrado, a Igreja não existe legalmente.
- Sem o seu estatuto a Igreja não pode ser representada juridicamente
- Sem o seu estatuto a Igreja não pode ser registrada no Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas (CNPJ), o que é obrigatório
- Sem um estatuto bem elaborado a Igreja pode ficar a mercês de desvios doutrinários e patrimoniais e de lideranças mal informadas ou mal intencionadas.
d) As Partes Componentes de um Estatuto
- Nome (razão social)
- Sede e Foro (localização da sede e domicílio para questões judiciais)
- Finalidades (a que se destina a instituição)
- Duração (tempo determinado ou indeterminado de funcionamento)
- Membros (direitos e deveres, condições para admissão ou para exclusão)
- Diretoria (composição, duração do mandato)
- Assembléias Gerais (ordinária, extraordinária e especial)
- Quorum (quantidade de pessoas presentes nas assembléias para o seu funcionamento legal)
- Eleições (forma, periodicidade)
- Patrimônio (composição e destino quando da dissolução da instituição)
- Modificações Estatutárias (regras para implementar as modificações)
- Disposições Gerais (disciplina aquilo que não foi identificado no estatuto mas que é necessário para o funcionamento ordeiro da instituição).
d) Algumas Técnicas para Confecção de um Estatuto
- Deve-se escrever ESTATUTO e não ESTATUTOS
- Os artigos devem ser escritos assim: Art. 1º... Art. 9º, Art. 10, Art. 11…
- Os parágrafos podem ser escritos abreviadamente & 1º, & 2º,...
- Quando se tratar de um parágrafo só, escrever: Parágrafo Único
- Os capítulos devem ser escritos em algarismos romanos e letras maiúsculas: CAPITULO I, CAPÍTULO II,...
- Na linha abaixo do capítulo deve-se escrever a que o mesmo se refere, precedido de: DO, DA, DOS, DAS, Exemplo:

CAPÍTULO I
DA DENOMINAÇÃO, OBJETIVO, SEDE E FORO

CAPÍTULO II
DOS SÓCIOS, SEUS DIREITOS E DEVERES

(Quando se tratar da última parte do Estatuto, omite-se o DAS).
Ex. DISPOSIÇÕES GERAIS

3) REGIMENTO INTERNO

O Regimento Interno é o documento que detalha o Estatuto, ou que o complementa, abrangendo todos os órgãos internos da Igreja, disciplinando o seu funcionamento.

4) A SECRETARIA DA IGREJA

a - A IMPORTÂNCIA DA SECRETARIA
A secretaria é um órgão de suma importância na vida eclesiástica de uma comunidade evangélica, pois nela estão todas as informações necessárias para o bom funcionamento administrativo da igreja.
b - A POSIÇÃO DA SECRETARIA NA ESTRUTURA ORGANIZACIONAL
A secretaria não é um órgão de linha, ou seja, não é um órgão que tenha poder de mando, e sim de assessoria dentro de uma estrutura organizacional.
c - A DOCUMENTAÇÃO PRÓPRIA DE UMA SECRETARIA
A secretaria é o lugar de guarda dos documentos de uma igreja, a seguir identificados:
d - O ROL DE MEMBROS – que é o registro de todos os membros de uma determinada igreja. O rol de membros pode ser:
– Rol de Membros Permanentes – é o registro de todos os membros que se filiaram a igreja ao longo de sua história.
– Rol de membros Ativos – é o registro de todos os membros que estão filiados à igreja.
– Rol de Membros Inativos – é o registro de todas as pessoas que se filiaram à igreja e que foram desligadas por questões diversas, como por exemplo: falecimento, transferência, afastamento por questões disciplinares, abandono da igreja, etc.
- Rol de Congregados – Além de seu rol de membros deve a Igreja manter ainda um rol daquelas pessoas que não são membros, mas, freqüentam regularmente as suas reuniões.
Com o recurso do computador tornou-se mais fácil manter atualizado esses registros para facilitar o trabalho da igreja. Mas, na impossibilidade da aquisição desse recurso, o meio convencional através de fichas atende a necessidade da igreja, desde que seja continuamente atualizado.

5) OS LIVROS DE UMA IGREJA


Para o seu funcionamento administrativo adequado, a igreja deve usar alguns livros próprios para registros de fatos que, em alguns casos, poderão ser requisitados para dirimir questões de caráter eclesiástico ou administrativo, sendo, alguns desses livros, exigidos pela lei do País.
a) O Livro de Atas – É nesse livro que são registradas as ocorrências verificadas durante as reuniões de caráter administrativo da igreja, e, por terem valor legal esses registros devem ser feitos em livro apropriado, conhecido pelo nome de livro de atas. Os registros em ata constituem também a jurisprudência da Igreja e têm valor legal, juntamente com o Estatuto e o Regimento Interno da igreja.
– As Características de Um Livro de Atas
O livro de atas geralmente têm as seguintes características:
- Deve ser registrado no Cartório de Registro de Pessoas Jurídicas;
- Todas as suas páginas devem ser numeradas e rubricadas;
- Deve conter um termo de abertura e um termo de encerramento;
- O tamanho padrão desse livro é: 22 x 33 cm.
– As partes constitutivas de uma Ata
- O Cabeçalho – onde deve constar obrigatoriamente o nome da Igreja, o local de realização da assembléia, a data e a hora de seu início, o nome de quem a presidiu, e a informação de que a mesma foi de caráter ordinário, extraordinário ou especial e o número de membros presentes.
- O Corpo – que é o registro dos assuntos propostos, apoiados e aprovados na assembléia.
- O Fecho ou Encerramento – que, geralmente, tem esta descrição: Nada mais havendo a tratar na assembléia, a mesma foi encerrada as ____ horas, lavrando-se para constar a presente ata que dato e assino junto ao senhor presidente.
b) O Livro de Presença
Hoje, com as exigências do Novo Código Civil Brasileiro, faz-se obrigatório à existência de um livro de presença nas assembléias da Igreja, onde deve constar legivelmente o nome dos seus membros participantes da assembléia. A relação de presente constante do livro servirá para duas coisas: para possibilitar o conhecimento do quorum bem como para dirimir dúvidas futuras quando a participação de determinada pessoa na assembléia.
c) O Livro de Registro de Matrimônios
Nesse livro são registrados todos os casamentos que foram realizados na Igreja, tantos aqueles de caráter religioso como aqueles religiosos com efeito civil.
a) O Livro de Registro de Empregados
Caso a Igreja tenha empregados, os mesmos devem ser registrados no livro chamado registro de empregados. Esse registro é uma seqüência natural da legalização do vinculo empregatício conforme exigência da lei do nosso País.

6) AS CORRESPONDÊNCIAS DA IGREJA


Toda a Igreja tem a necessidade de expedir e de receber correspondências. Para que haja uma organização mínima numa secretaria, faz-se necessário que ela tenha pastas do tipo AZ para arquivo das correspondências que saem da Igreja bem como aquelas que chegam. Dependendo do volume, as correspondências podem ser agrupadas numa mesma pasta com divisórias ou não.
O arquivo das correspondências expedidas deve ser feito por ordem crescente de numeração, ou por assunto, ou por departamento ou ainda por data de expedição. O arquivo de correspondências recebidas deve ser feito por ordem cronológica de data de expedição do documento pela origem.
Tipos de Correspondências
São diversos os tipos de correspondências expedidas por uma Igreja:
- Oficio – quando a Igreja se dirige a um órgão governamental
- Carta – quando a Igreja se dirige a uma pessoa física ou a uma instituição qualquer
- Requerimento – quando a Igreja solicita algo a um órgão governamental que a lei lhe faculta
- Relatório – quando há a necessidade de relatar algo pormenorizado
- Declaração – quando a Igreja precisa dar um testemunho de alguém.
- Edital – quando da convocação de uma assembléia

BIBLIOGRAFIA

CARVALHO, Antonio Vieira de. Planejando e Administrando as Atividades da Igreja. São Paulo: Exodus, 1997.
DRUCKER, Peter. Administração de Organizações Sem Fins Lucrativos. São Paulo: Pioneira Administração e Negócios, 1994.
DUARTE, David Tavares. A Igreja e o Novo Código Civil. Rio de Janeiro: CPAD, 2003.
FERREIRA, Antonio Carlos. A Empresa como Organizar e Dirigir. Rio de Janeiro: Edições Ouro, 1993.
FERREIRA, Ebenézer Soares. Manual da Igreja e do Obreiro. Rio de Janeiro: JUERP, 1993.
FILHO, Antonio Ferreira. O Direito Aplicado às Igrejas. 2ª edição. Rio de Janeiro: CPAD, 2005
GÓIS, Roberval. A Igreja e as Questões Trabalhistas. 2ª edição. Recife: Agência Gráfica Nacional Ltda., 2008
JARDIM, Amaury. Administrando a Igreja. Rio de Janeiro: UNIGEVAN, 2001.
KESSLER, Nemuel Câmara. Administração Eclesiástica. Rio de Janeiro: CPAD, 1995.
MORAES, Rubens. Legislação para Igrejas. Rio de Janeiro: CPAD, 1985.
TOGNINI, Enéas. Eclesiologia. Brasília: Edições Convenção Batista Nacional, 1998.
DOUGLASS, Stephen B., et al. O Ministério de Administração. São Paulo: Editora Candeia, 1999.